7 – IMPACIENCIA
Como eu queria nos troncos talhar!
como eu queria nas rochas gravar!
num fresco canteiro semearia
agrião que em breve o revelaria;
em cada folha estaria a canção:
para sempre teu é o meu coração!
Palavras claras, puras trovaria,
o próprio estorninho as cantaria
com o som cheio da minha canção,
com o impulso ardente do coração
batendo brilhante à tua janela:
meu coração é teu, moleira bela!
Quero soprá-lo aos ventos da estação,
murmurá-lo ao bosque em agitação!
oh! se cintilasse em toda a estrela
e em todo o ar, na aragem mais singela!
somente a nora, ondas, podeis mover?
teu é o meu coração até morrer!
A verdade, em meus olhos podes vê-la?
na minha face ardente, podes vê-la?
na minha boca muda podes ler
o que a respiração te quer dizer;
mas o que eu sofro, ela não quer notar:
que o meu coração lhe estou a entregar!