2 . PARA ONDE?
Ouvia murmurar um ribeiro
por entre rochedos nascido,
um ribeiro em vales murmura
brilhante em frescura vestido.
Não sei como é que isto acontece,
nem quem me diz para seguir;
com o cajado vou descendo
seguindo o ribeiro a luzir.
Seguindo, cada vez mais longe,
e sempre à beira do ribeiro,
e sempre fresco murmurando,
e sempre mais luz no ribeiro.
Este é, então, o meu caminho?
Ó meu ribeirinho, responde!
Com teu murmúrio enfeitiçaste,
diz-me, ribeirinho, para onde?
Que dizer sobre estes murmúrios?
Só murmúrios não podem ser:
são ninfas do fundo do Rio
cantando em ribeiro a correr.
Deixa cantar e murmurar
e segue, alegre, companheiro!
segue viandando, que há noras
a girar em cada ribeiro.
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