terça-feira, 4 de maio de 2010

10 – CHUVA DE LÁGRIMAS

Sentados juntos, tão felizes,
à sombra que nos refrescava,
olhando juntos, tão felizes,
o rio que murmurava.

A lua também tinha vindo
e com ela o céu estrelado,
e pareciam tão felizes
no seu espelho prateado.

Eu não olhava para a lua
nem para o brilho das estrelas,
olhava apenas a sua imagem
as suas pupilas tão belas.

E via-a inclinada vendo
no rio a imagem mais bela,
e as flores azuis pela margem
inclinavam-se para vê-la.

E afundado no ribeiro
me pareceu ver todo o Céu,
querendo puxar-me com ele
para o seu profundo breu.

E sobre nuvens e estrelas
lá murmurava o ribeiro,
soava cantando e chamando:
Vem e segue-me, companheiro!

Reviraram-se-me os olhos,
turvou-se o reflexo dos céus;
ela disse: Vem aí chuva,
eu vou para casa, adeus.

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