10 – CHUVA DE LÁGRIMAS
Sentados juntos, tão felizes,
à sombra que nos refrescava,
olhando juntos, tão felizes,
o rio que murmurava.
A lua também tinha vindo
e com ela o céu estrelado,
e pareciam tão felizes
no seu espelho prateado.
Eu não olhava para a lua
nem para o brilho das estrelas,
olhava apenas a sua imagem
as suas pupilas tão belas.
E via-a inclinada vendo
no rio a imagem mais bela,
e as flores azuis pela margem
inclinavam-se para vê-la.
E afundado no ribeiro
me pareceu ver todo o Céu,
querendo puxar-me com ele
para o seu profundo breu.
E sobre nuvens e estrelas
lá murmurava o ribeiro,
soava cantando e chamando:
Vem e segue-me, companheiro!
Reviraram-se-me os olhos,
turvou-se o reflexo dos céus;
ela disse: Vem aí chuva,
eu vou para casa, adeus.
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