12 – PAUSA
Pendurei o alaúde na parede,
prendi-o com uma fita verde.
Não posso cantar, tenho o coração
demasiado cheio para as rimas da canção.
A dor ardente da minha saudade
cantava outrora sem dificuldade
e apesar de cantar com voz serena,
achava que a dor não era pequena.
Ah, tão grande é o fardo da minha sorte
que não há som na Terra que o suporte?
Preso a um prego, descansa um momento!
Se pelas cordas te soprar um vento,
se a asa de alguma abelha te toca,
tremo do medo que o som me provoca!
Porque é que atei o laço tão comprido?
Roça as cordas num suspiro gemido.
Será o eco da minha dor de amor?
Prelúdio das canções que irei compor?
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