17 – A COR MAL AMADA
Queria ir pelo mundo fora,
correr o vasto mundo;
se ele não fosse verde no campo,
verde no bosque profundo!
Queria arrancar as folhas verdes
de cada ramo forte,
e chorar até que as ervas verdes
ficassem brancas de morte.
Ah, verde, que és a cor mal amada,
atrevida e orgulhosa,
porque olhas a este pobre e branco homem?
Porquê, cor maliciosa?
Queria deitar-me à sua porta
à chuva, à neve dos céus,
e cantar baixinho dia e noite
uma só palavra: Adeus!
Soa a trompa de caça no bosque,
oiço-a abrir a janela;
ainda que ela não me olhe a mim,
eu posso espreitá-la a ela.
Tira da cabeça a minha fita
de verde colorida!
Adeus, adeus! E estende-me a mão
ao menos à despedida!
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