domingo, 23 de maio de 2010

19 – O MOLEIRO E O RIO

O moleiro:

Onde de amor sincero
morrer um coração,
em todos os canteiros
lírios murcharão.

As nuvens para a lua
esconderijo sejam,
para que as suas lágrimas
os humanos não vejam.

Anjos de olhos fechados
soluçam cantando
pelo descanso da alma
que assim vão embalando!


O rio:

E se o amor se escapa
à dor da agonia,
no céu surge uma estrela
nova que alumia.

Três rosas de pétalas
brancas e encarnadas
brotam dos espinhos,
nunca mais definhadas.

E os anjinhos cortam
as suas asas vãs
e descem à terra
todas as manhãs.


O moleiro:

Meu ribeiro amado,
sei que és bom conselheiro;
mas o que o amor faz,
saberás tu, ribeiro?

Ah, no fundo mais fundo,
fresco de repousar!
Ribeirinho querido,
não deixes de cantar.

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