9 – AS FLORES DO MOLEIRO
Crescem flores ao pé do ribeiro,
deste que é amigo do moleiro;
são brilhantes, de cor azulada
tal como os olhos da minha amada,
são, portanto, as minhas flores.
Mesmo em baixo da sua janela
eu hei-de plantar a flor mais bela;
e à hora calma de ir repousar,
ela há-de ouvir-vos, flores, chamar;
sabeis bem o que pretendo.
E ao fechar os olhos, repousando
nas visões de um sono doce e brando,
murmurai-lhe entre sonhos assim:
Nunca, nunca te esqueças de mim!
Apenas isto eu pretendo.
De manhã, quando ela abrir o estore,
olhem para cima com muito amor;
o orvalho no azul do vosso olhar
são lágrimas que estive a chorar
e que hei-de verter nas flores.
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