domingo, 23 de maio de 2010




14 – O CAÇADOR

Que busca o caçador pelo ribeiro deste lado?
Fica na tua coutada, caçador obstinado!
Aqui não há animal selvagem que possas caçar;
só há uma corça mansa para mim, para eu amar.
Se queres ver a meiga corçazinha sem guarda,
pois deixa ficar na floresta a tua espingarda,
e deixa em tua casa qualquer cão que latisse,
e não toques na trompa as melodias de estroinice,
e apara no queixo essa tua barba eriçada,
ou a corça esconder-se-á no jardim, assustada.
Fica antes na floresta, não faças este caminho
e deixa estar em paz o moleiro e o moinho.
Que fariam os peixinhos no verde do pinheiro?
Pois que quer o esquilo no azul pálido do viveiro?
Por isso, fica no mato, teimoso caçador
e deixa-me só com as três noras da minha dor:
e se queres que o meu tesouro te dê atenção,
sabe, meu amigo, o que lhe perturba o coração:
os porcos que vêm para a noite do matagal
revolvem a terra quando invadem o quintal,
e pisam e esgravatam os campos do meu Amor;
atira-te aos porcos, dispara, herói caçador!



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